08 maio, 2009

espetacularizada

Em meio ao cansaço, esparramada entre almofadas de linho e colchas de cetim, ela se rende à sua total infelicidade. Carrega na cara bolsa todo maquinário rebordoso para manter seu requinte, entre a maquiagem e o peeling, a plástica e o verniz luxuoso reluzente de sua fala, ela dá falta de si mesma, procura incessantemente algo que lhe valha destaque, brilho e glamour, ela se espetaculariza a fim de que seja vista e ouvida por muitos, ainda que isso, no fundo, nada tenha de real valor. Ela pensa e crê fielmente, que na sua verdade aparente, conseguirá profundamente encontrar amor... mas por dentro ela chora pesado, carrega no peito tamanho fardo de não saber escolher o sapato ou a dor, ela se rende e abre o armário, ela solta um urro desesperado, põe fogo em tudo ao seu lado, se deixa levar no arder da chama, acreditando que assim, talvez, apareça alguém que reclama, alguém que por sua vida clama, alguém que realmente lhe ama... e tudo queima e corrói, o que sobra é só resto de tristeza e cinzas, e o silêncio mortal e profundo que, ao final, ninguém quebrou... Ela também não se amou.

Um comentário:

Flávia Jorge disse...

"Ela pensa e crê fielmente, que na sua verdade aparente, conseguirá profundamente encontrar amor..."

nossa, como isso acontece por aí, com várias pessoas cada vez mais espetacularizadas e vazias.

gostei muito de esbarrar com esse espaço.