Sentia uma dor que vinha não sabia de onde, agulhadas que despontavam por dentro como num boneco de vodu. Era uma dor lancinante, ele se retorcia todo, e pedia aos céus que a todo custo o tirasse daquela situação. Ela olhava fundo em seus olhos e não conseguia entender, em minuto nenhum, porque de repente foi tomado por tal angústia, afinal, há pouco tempo havia se ajoelhado a seus pés e pedido sua mão. Ela chegou a pensar que, naquele mesmo momento, ele havia se arrependido de tudo...
Ele saiu correndo. Ela jogou as mãos ao rosto e pôs-se a chorar. Os garçons ficaram um tanto abobalhados, sem saber como acudir a moça em tal desespero. Ele não voltaria mais? Como pôde desistir de tudo em tão pouco tempo? Ela escreve no guardanapo "Adeus" e vai embora, deixando a conta por pagar. Pouco depois ele retorna, com ar de alívio e procurando por ela. Encontra o bilhete e chora um sonho destruído por uma simples dor de barriga.
Se todo mundo pensasse seriamente no absurdo que é tudo isso de ser feito de carne, mas também olhar as estrelas, de ter um rosto, mas também ter aquele buraco fétido, se todo mundo tivesse o hábito de pensar, haveria mais piedade, mais solidariedade, mais compaixão e amor. Hilda Hilst
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07 janeiro, 2011
26 dezembro, 2010
nem
Ando brejeira e leve...
suspensa.
Insuspeitando do que disse a noite,
outrora,
que devastei o mundo com estrelas.
Se soubesse ela, a noite,
o quão frio faz nestas horas,
teria desejado, onde e quando,
me fiz breve e trágica
como a fúria de uma ventania.
Nem tudo é natural.
Nem tudo é universal.
Nem eu, nem a noite,
nem as estrelas.
Nem a tez ruborizada
pelas mãos entrelaçadas,
rasgadas pela trilha
de um suspiro ao fundo.
Nem um segundo.
Nem nada.
suspensa.
Insuspeitando do que disse a noite,
outrora,
que devastei o mundo com estrelas.
Se soubesse ela, a noite,
o quão frio faz nestas horas,
teria desejado, onde e quando,
me fiz breve e trágica
como a fúria de uma ventania.
Nem tudo é natural.
Nem tudo é universal.
Nem eu, nem a noite,
nem as estrelas.
Nem a tez ruborizada
pelas mãos entrelaçadas,
rasgadas pela trilha
de um suspiro ao fundo.
Nem um segundo.
Nem nada.
25 março, 2010
a hora
E quando tudo tiver sua hora de chegar
eu já terei ido longe.
Percorrido uma distância urgente, ofegante,
no cansaço em que se divide um dia civil.
Eu, não menos civilizada,
aguardo o tempo ordinário em que não fiz
o que deveria ter feito ou poderia fazer:
traço a minha ocasião.
Não determino nada, mas corro contra o tempo,
esse devorador da vida que vaga, lentamente ágil,
com a força de um furacão.
Não resisto às variações
do meu meridiano central.
As horas não serão mais horas,
partes, números, ensejos,
nem extraordinárias cargas de operários tristes,
intervalos críticos e decisivos,
momentos de desejo,
quando tudo tiver a hora de chegar
eu já terei partido, em boa hora:
se a badalada no sino do relógio, grita,
inquieta, em alta noite,
quando tudo está em silêncio.
Persevero, paciente,
pois não tenho prazo para acontecer.
eu já terei ido longe.
Percorrido uma distância urgente, ofegante,
no cansaço em que se divide um dia civil.
Eu, não menos civilizada,
aguardo o tempo ordinário em que não fiz
o que deveria ter feito ou poderia fazer:
traço a minha ocasião.
Não determino nada, mas corro contra o tempo,
esse devorador da vida que vaga, lentamente ágil,
com a força de um furacão.
Não resisto às variações
do meu meridiano central.
As horas não serão mais horas,
partes, números, ensejos,
nem extraordinárias cargas de operários tristes,
intervalos críticos e decisivos,
momentos de desejo,
quando tudo tiver a hora de chegar
eu já terei partido, em boa hora:
se a badalada no sino do relógio, grita,
inquieta, em alta noite,
quando tudo está em silêncio.
Persevero, paciente,
pois não tenho prazo para acontecer.
09 fevereiro, 2010
simples
O amor puro, leve e sucinto, assim te sinto, como a simplicidade em que os pássaros descrevem em linhas súbitas no ar, o equador. Como o passo descompassado de uma música essencial à mente e ao coração. O passar de horas onde todo tempo é tempo, onde o corpo é ode descontínua, onde a vida lúcida e reluzente deságua em desejo e poesia.
08 janeiro, 2010
estética da tragédia
Por que as pessoas se interessam tanto por mortes, desastres, desgraças? Será para alimentar mais o medo? Será para questionar algum vazio de existência (já que, para morrer, basta estar vivo)? Será pura e simples morbidez? Sadismo? A morte serve ao capitalismo: vende jornais, revistas, anúncios na televisão. A morte amortecendo as gentes.
(há beleza na morte ou morte na beleza?)
(há beleza na morte ou morte na beleza?)
07 dezembro, 2009
o difícil exercício da não compreensão
A alma às vezes dói e nem sempre é preciso entender por quê - deixe-a ali, esquecida e vazia como uma mariposa morta. Não compreender pode ser bonito, digno e pode poupar uma porção de inquietações, de dúvidas, de incertezas, as sofríveis perguntas sem respostas, a falha busca de conceitos vãos. Mas não compreender, para mim, é exercício difícil, é esforço homérico de abstração, e me parece muitas vezes que seja necessário o pensamento vago, a ausência de um sorriso ou uma lágrima, ou algo que me valha para não enlouquecer.
21 outubro, 2009
(m)eu-poema
Queria ganhar um poema que dissesse algo sobre mim...
um poeminho análise.
Sem julgamentos.
Um poeminha injusto e indiferente
mas que diga de fora aquilo que não posso ver.
Pode ser um soneto,
ou um hai-kai...
denso e discreto,
discurso direto
ou indireto.
Entrelinhas são desnecessárias.
Que as sutilezas todas sejam entendidas.
Eu peço um poema pra mim.
Mas o mundo é tão vasto e louco,
a vida tão séria e sem juízo,
o universo tão infinito e incompreensível.
Por que um poema pra mim?
Justo pra mim?
Olho tudo à volta e caio na real:
não mereço um poema.
Só os poemas que me merecem.
Reduzo-me à minha insignificância,
à minha invalidez dentro disso tudo,
a minha falta de talento de ser musa,
de ser obra terminada,
pois sou a ruína de um edifício em construção.
Eu-poema?
Acordo e dou por mim
nem receio mais quando me lembro
que palavras não fazem curva
quando bate o vento.
um poeminho análise.
Sem julgamentos.
Um poeminha injusto e indiferente
mas que diga de fora aquilo que não posso ver.
Pode ser um soneto,
ou um hai-kai...
denso e discreto,
discurso direto
ou indireto.
Entrelinhas são desnecessárias.
Que as sutilezas todas sejam entendidas.
Eu peço um poema pra mim.
Mas o mundo é tão vasto e louco,
a vida tão séria e sem juízo,
o universo tão infinito e incompreensível.
Por que um poema pra mim?
Justo pra mim?
Olho tudo à volta e caio na real:
não mereço um poema.
Só os poemas que me merecem.
Reduzo-me à minha insignificância,
à minha invalidez dentro disso tudo,
a minha falta de talento de ser musa,
de ser obra terminada,
pois sou a ruína de um edifício em construção.
Eu-poema?
Acordo e dou por mim
nem receio mais quando me lembro
que palavras não fazem curva
quando bate o vento.
25 setembro, 2009
indivíduo
Caminhou vagarosamente embaraçado. Pela aparência poderiam até dizer que estava embriagado. Andava tonto, pendendo para os lados. Muitos olhos o olhavam de soslaio, com desdém. Quem seria este Zé Ninguém? Zé Ninguém tem nome próprio, teve família, teve história, mas nada disso interessaria a alguém. Poucos passos trôpegos entre os passantes e seus viços nas faces, fartura de carnes, Zé Ninguém parecia perdido entre verduras brilhantes. Pensava num pequeno milagre de ser invisível por alguns instantes. Indigente e invisível, o de costume, mas ali, naquele lugar, chamava atenção, uma atenção nojosa, enjoativa. Virou motivo de queixume. O homem-pêndulo carregando desespero por entre os rótulos gritantes das prateleiras. Antes que suas mãos carregassem qualquer força furtiva, caiu por entre os carrinhos. Chamaram a segurança, a guarda civil, a polícia militar. Burburinhos surgiram por todo o espaço. A gerência mandou remover logo, atrapalha as vendas. Um indíviduo solitário, julgado por sua falta de alma, falta de amor, falta de nome. Zé Ninguém era sim alguém... era apenas um homem com fome.
24 setembro, 2009
prolixamente humana
Dei-me às verbosidades, o silêncio superado por superabundâncias, nada de discurso lacônico e conciso, vou-me às palavras, ando às favas excessivamente circunstanciada, não tenho freios pra dizer o que digo e falo até sem frases, não existem sílabas suficientes às minhas significações, são minhas várias vozes gritando por meus olhos, bocas nos meus poros, cordas vocais até orelhas, vocabulário, léxico, elucidário, urro libertário! Incisivas, confusas, imaginativas, inventadas, sofridas, embargadas, orgasmáticas palavras, as minhas, aquelas e estas que posso dizer sem nem dizer, sem bem dizer, pessoa desmedida, prolixamente humana pelo que me sobra, pelo que me basta ser, pelo que nada mais me resta fazer.
17 setembro, 2009
degradação
Não tenho medo de degradar-me. Que me venham as rugas, os cabelos brancos e uma sabedoria que se compõe na medida da decomposição. Antes a degradação de sentar-me os dias em jardins floridos, de bocas abertas e ouvidos devotados aos céus espreitando pássaros, no aguardo paciente da culposa senhora ceifeira de vidas que não avisa quando vem, a rebaixar-me a dignidade e a grandeza de toda minha pequenice. Degradar-se de ser feio verbo reflexivo e suas visagens que nos causam sustos por conter nas entre-sílabas a fatalidade. Ainda não receio a ordem das coisas; os olhos flamejam por chamas dançantes que queimam calendários. Degrado-me vagarosamente, sujeita a modificar a substância das minhas estações. Dentre minhas chuvas ainda não caídas e constelações perdidas, desejo o simples das coisas. Quero apenas, ao longo, conjugar-me.
31 agosto, 2009
coexisto
relativa
coexisto em virtude
de uma causa extrínseca
de uma cousa intrínseca
não sou essencial
mas verossímil
provável
necessária
e plausível
sou inútil
ínsipida e inodora
mas nunca incolor
uma incógnita
uma variável
em gênero, número e grau
alguma coisa de valor
independente do sinal
portanto
tornei-me inerente a mim
para nunca estar sozinha
até o final.
coexisto em virtude
de uma causa extrínseca
de uma cousa intrínseca
não sou essencial
mas verossímil
provável
necessária
e plausível
sou inútil
ínsipida e inodora
mas nunca incolor
uma incógnita
uma variável
em gênero, número e grau
alguma coisa de valor
independente do sinal
portanto
tornei-me inerente a mim
para nunca estar sozinha
até o final.
12 agosto, 2009
folguedo
Como se fora música, a coisa descrita
não se calça de meros adjetivos.
De fato memorável a ousadia grita
sem delongas racionais:
prazer inopinado que nos causa a vista,
coisa que surpreende, espanta e agita.
É substância pura e inamovível,
em sua conjugação de ser verbo defectível.
Tão tomados pelo labor, tão distraídos
não percebiam, no calor da movimentação,
olhares curiosos que no entorno não abatiam
em momento algum tal grau de excitação.
Ao céu o corpo celeste em órbita elíptica,
a iluminar alma e matéria em conexão plena,
arrebatadas por excessiva inspiração.
Da ligadura entre dois corpos que comunicam
júbilo, deleite e satisfação;
deste lugar onde se passa de um ponto a outro
como acordes formados em sucessão,
evocação agradável aos ouvidos, pele, mãos,
que em regozijo lascivo fez-se canção.
Dois artistas em ruidosa alegria
exaltados em intensa e sublime criação.
não se calça de meros adjetivos.
De fato memorável a ousadia grita
sem delongas racionais:
prazer inopinado que nos causa a vista,
coisa que surpreende, espanta e agita.
É substância pura e inamovível,
em sua conjugação de ser verbo defectível.
Tão tomados pelo labor, tão distraídos
não percebiam, no calor da movimentação,
olhares curiosos que no entorno não abatiam
em momento algum tal grau de excitação.
Ao céu o corpo celeste em órbita elíptica,
a iluminar alma e matéria em conexão plena,
arrebatadas por excessiva inspiração.
Da ligadura entre dois corpos que comunicam
júbilo, deleite e satisfação;
deste lugar onde se passa de um ponto a outro
como acordes formados em sucessão,
evocação agradável aos ouvidos, pele, mãos,
que em regozijo lascivo fez-se canção.
Dois artistas em ruidosa alegria
exaltados em intensa e sublime criação.
02 julho, 2009
24 junho, 2009
mon cœur
Paciente e esforçado, não tão benevolente, nem tampouco compassivo, ele se retrai em cansaço. Mergulhado em larga franqueza, já disse tudo o que sentia, foi generoso, responsável, reinventou-se e refletiu, variante sem designação, ficou farto, amou incondicionalmente e foi amado, feriu-se pulsionado em sua dinâmica, esta de pulsar sem freio nem pouso, de ser sempre o centro motor de impulsos e, mesmo repetitivo em suas ações, quis expurgar suas faculdades afetivas, sentiu-se vago, extremado e enfraquecido, perdeu o brio e a coragem, resignou-se de seu próprio destino... enfastiado de tudo e todos, recriou-se em sua imaginação, pegou o primeiro vôo para longe e agora, sossegado e feliz, solitário porém preenchido de novas sensações, transfigura-se belo dançarino que, sem vontade de ser encontrado, chora a calma das madrugadas ao contemplar a vida transcendida pelo toque suavemente intenso de guitarras e castanholas, sentado à mesa de um café cantante, e sorri à sua volta pelos espíritos desesperados, perdidos na Andaluzia dos poemas de Garcia Lorca.
28 maio, 2009
o poeta
E era assim que ele seguia em suas primitivas interpretações, senhor de tantas fabulações sobre o mundo, sempre tão incompreendido, porém nunca ingênuo, não era louco, apenas gostava de alegorias, expunha fatos através de símbolos criados com tanta maestria, divididos entre a realidade e o enigma, a dúvida e a certeza. Sentava-se à beira de calçadas para contar suas histórias, incríveis, fantásticas, a quem gostava de ouvir, perambulava por aí, vaticinando seu próprio futuro, "morrerei ao final de outro dia!", arrancando gargalhadas pelo óbvio... porém o óbvio não aconteceu, os séculos se foram e este senhor não morreu, ficou doente, foi preso, torturado, mas sobreviveu, e hoje vive a andar pelas ruas das cidades, a contar as histórias das gerações, uns acreditam, outros nem escutam, já tentaram interná-lo, perturbá-lo com falsas verdades, mas nada atinge de fato este imortal poeta, que tem o nome de Liberdade.
11 maio, 2009
visita
Um dia acordou de repente com uma visita inesperada tocando a campanhia. Se arrependeu de tê-la deixado entrar. Sem saber o que fazer, ficou dias a fio tentando escondê-la dentro da gaveta, não queria olhar para ela, trancou com cadeado e fez questão de jogar a chave no lixo. Ela incomodava, falava alto, perturbava o sono. Mas não teve jeito. A dor estava ali, se encontrando com ela face a face para onde ia, olhando profundamente em seus olhos grandes e deixando bem claro que ela não poderia fugir. Não tinha jeito. Ela teve que encarar sua dor, teve que olhar para ela, teve que gritar com ela, tentou expulsá-la, expurgá-la, exorcizá-la, mas parecia que fazer isso se tornava pior, porque tudo aumentava de tamanho a cada tentativa.
Até que ficaram frente à frente, como num duelo. Ao invés de tentar matá-la, abraçou sua dor, beijou-a, e convidou-a para um café, conversaram a tarde toda, se entenderam e ficaram amigas... E não era tarde quando a dor se despediu, abriu a porta, e foi embora, feliz, sem saber, exatamente, quando estaria de volta.
Até que ficaram frente à frente, como num duelo. Ao invés de tentar matá-la, abraçou sua dor, beijou-a, e convidou-a para um café, conversaram a tarde toda, se entenderam e ficaram amigas... E não era tarde quando a dor se despediu, abriu a porta, e foi embora, feliz, sem saber, exatamente, quando estaria de volta.
04 maio, 2009
banquete
Cheia de voluptuosidade, avançando sobre os mais belos e pobres mortais e devorando-os com tal sagacidade, ela se encontra neste banquete com sua própria nudez. Despe-se de carne e de espírito, dissoluta e libertina, entre línguas, pernas e abdômens, mãos tateando numa busca voraz, ela, deusa encantadora de almas e homens, entrega-se com tal devoção ao banquete que, entre o devorar e ser devorada, torna tal ritual como uma reza, um mantra, e dá seu grito de redenção, deixando-os lívidos porém ávidos e sedentos, abatidos pelo cansaço do mais farto entendimento destes mistérios gozozos e divinos, constantes e corajosos, e essencialmente primordiais.
17 abril, 2009
crisálida

Em seu apelo constante, insistente atenção à tentativa de ser coesa num mundo incoerente, ela se dissocia do todo em silêncio. Liberta, porém, ainda presa e dividida, na batalha diária desta vida, ela grita calada em sua rotina, rotina de guerrilha pelo pão da cria, ela exala perfume doce de flor, na rotina de ser inventiva, alquimista e dançarina, ela se reinventa artista, menina-mulher, fêmea selvagem, primitiva e pós-moderna, camponesa e cosmopolita, ela se aprisiona em si mesma, pela salvação de sua consciência... e se transmuta, transforma, transcende a solidez de seu corpo como arma, sua alma, até que se abra novamente e, generosa, linda, persiga estrelas e vagalumes, e se perceba, de repente, mais leve e intensa de amor.
Crisálida - obra de arte contemporânea
por Hugo Perucci
07 abril, 2009
melagkholikós

Apareceste assim, rosto abatido, coração desconsolado, olhar vago e triste, sem persistir, sem me procurar. Eu te iluminava, persistente, mas não te voltavas a mim, você não me via, não me olhava, eu refletia numas águas e, ainda assim, teu pensamento era morto, eu existia ali sem exisitir. E você, sem querer, sem perseguir... não bastava que eu fosse ensolarada, não bastava que tivesse a mim antes de findar o dia, antes deste horizonte ter um fim.
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