"Serra confirma plano de nova estrada entre Rio e SP "
Que ótimo!
Assim a droga chega mais rápido!!
Quem precisa de metrô, não é mesmo?
Vamos construir mais estradas para que mais carros andem nelas! É isso aí!
E viva a indústria automobilística!
Os traficantes agradecem a colaboração.
Obrigada e volte sempre!
Se todo mundo pensasse seriamente no absurdo que é tudo isso de ser feito de carne, mas também olhar as estrelas, de ter um rosto, mas também ter aquele buraco fétido, se todo mundo tivesse o hábito de pensar, haveria mais piedade, mais solidariedade, mais compaixão e amor. Hilda Hilst
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03 setembro, 2008
16 outubro, 2007
Manifesto dos Palhaços
Os profissionais do picadeiro, das ruas e praças esperam que o circo e o palhaço sejam recursos para uma metáfora digna de suas profissões.
Mário Bolognesi
Somos palhaços.
De profissão.
Arrancamos alegria e riso de todos os corações,
Inclusive dos mais endurecidos.
Crianças e velhos, jovens e adultos, ricos e pobres,
Todas as raças, nações e lugares nos conhecem,
Riem conosco e nos aplaudem.
A cara pintada e o nariz vermelho são nossas marcas.
Ambos denunciam os desmandos públicos, no picadeiro ou fora dele.
Até aqui, estamos juntos.
Mas, eis que, imediatamente, a corrupção vira "palhaçada";
Diz-se das manobras criminosas: "isso é um circo!"
Autoridades duvidosas são chamadas de "palhaços";
Vocês sabem o que é uma palhaçada?
Não?
Então, retornem ao circo e vejam que ela não é escândalo público;
Que não é corrupção – roubo, muito menos.
As comparações e metáforas nos associam às causas impopulares.
Não existe, no mundo, personagem tão popular e querida como nós!
Hoje, Dia Nacional do Palhaço, exigimos:
Basta!
Continuemos protestando, porque isso se faz necessário.
Mas não usem nossa personagem e nossos narizes em vão.
Nossa profissão é criar a alegria e não a corrupção;
É alimentar a vida e a igualdade de todos
E não o roubo de poucos.
Esse manifesto foi criado em março de 2007.
Mário Bolognesi
Somos palhaços.
De profissão.
Arrancamos alegria e riso de todos os corações,
Inclusive dos mais endurecidos.
Crianças e velhos, jovens e adultos, ricos e pobres,
Todas as raças, nações e lugares nos conhecem,
Riem conosco e nos aplaudem.
A cara pintada e o nariz vermelho são nossas marcas.
Ambos denunciam os desmandos públicos, no picadeiro ou fora dele.
Até aqui, estamos juntos.
Mas, eis que, imediatamente, a corrupção vira "palhaçada";
Diz-se das manobras criminosas: "isso é um circo!"
Autoridades duvidosas são chamadas de "palhaços";
Vocês sabem o que é uma palhaçada?
Não?
Então, retornem ao circo e vejam que ela não é escândalo público;
Que não é corrupção – roubo, muito menos.
As comparações e metáforas nos associam às causas impopulares.
Não existe, no mundo, personagem tão popular e querida como nós!
Hoje, Dia Nacional do Palhaço, exigimos:
Basta!
Continuemos protestando, porque isso se faz necessário.
Mas não usem nossa personagem e nossos narizes em vão.
Nossa profissão é criar a alegria e não a corrupção;
É alimentar a vida e a igualdade de todos
E não o roubo de poucos.
Esse manifesto foi criado em março de 2007.
11 maio, 2007
Panis et Circensis
Depois do lamentável episódio no show dos Racionais MC´s na madrugada do dia 06 de maio, na Praça da Sé, comecei a pensar mais profundamente na programação da Virada Cultural e até no que isso interfere culturalmente na cidade.
Aqui não me interessa falar sobre a música da periferia, discorrer sobre os shows, espetáculos, não nesse momento, ou sobre a ação da polícia, sobre quebra-quebra, vandalismo ou escândalo. Me interessa falar um pouquinho sobre o que vejo da política pública para a cultura na cidade de São Paulo, ou até sobre a possível falta dela.
Vamos começar pelo orçamento da Virada Cultural 2007, realizada nos dias 05 e 06 de maio. Segundo notícia veiculada na Folha de S. Paulo, "estima-se que o custo seja 33% do orçamento total (R% 12 milhões) da Secretaria da Cultura para 2007". Gente, 33% do orçamento da cultura em apenas 24 horas!!! E as outras 8736 horas do restante do ano? E todo mundo acha lindo apenas uma vez por ano o poder público atuar numa programação que ganha destaque, por conta do tamanho e grandiosidade do evento, e não propriamente, porque prima pela qualidade e pela intenção de transformação no cenário cultural da cidade.
Isso sim acho lamentável.
É a velha política do Pão e Circo.
Aqui não me interessa falar sobre a música da periferia, discorrer sobre os shows, espetáculos, não nesse momento, ou sobre a ação da polícia, sobre quebra-quebra, vandalismo ou escândalo. Me interessa falar um pouquinho sobre o que vejo da política pública para a cultura na cidade de São Paulo, ou até sobre a possível falta dela.
Vamos começar pelo orçamento da Virada Cultural 2007, realizada nos dias 05 e 06 de maio. Segundo notícia veiculada na Folha de S. Paulo, "estima-se que o custo seja 33% do orçamento total (R% 12 milhões) da Secretaria da Cultura para 2007". Gente, 33% do orçamento da cultura em apenas 24 horas!!! E as outras 8736 horas do restante do ano? E todo mundo acha lindo apenas uma vez por ano o poder público atuar numa programação que ganha destaque, por conta do tamanho e grandiosidade do evento, e não propriamente, porque prima pela qualidade e pela intenção de transformação no cenário cultural da cidade.
Isso sim acho lamentável.
É a velha política do Pão e Circo.
19 abril, 2007
Uma cultura para todos
No ano passado, o Theatro Municipal de São Paulo recebeu o Ballet de Moscou com 3 espetáculos diferentes: O Lago dos Cisnes, Dom Quixote e Romeu e Julieta. Quando soube que eles viriam para cá, fiquei eufórica. Definitivamente, eu não poderia perder uma das grandes cias. de dança clássica do mundo, algo tão tradicional, ainda mais vinda da Rússia, país riquíssimo culturalmente. Estabeleci uma corrida atrás de ingresso, falei com um, falei com outro, até que um amigo, também produtor, através de seus contatos, arrumou dois ingressos para assistirmos o Dom Quixote. Eu estava empolgadíssima.
Chegamos um pouco mais cedo e ficamos sentados na escadaria do Theatro, esperando a pessoa que viria com os ingressos. Desde ali de fora, fui observando o público: grandes carros importados paravam, e deles desciam grandes peruas, de laquê nos cabelos, super maquiladas, com seus digníssimos maridos de terno e gravata, ou black-tie, sapato lustroso, carregando a tira-colo os filhos adolescentes, vestidos como velhos. Ainda comentei com meu amigo: baile de gala? ou festa de casamento? E ríamos, ríamos tanto, com nossas calças jeans e nossos simplérrimos par de tênis. "O pior é que é esse o tipo de público que vem assistir o ballet clássico tradicional"- disse meu amigo com ar sério - "é muito parecido com o público que frequenta a Sala São Paulo". Até aí, tudo bem. Se as pessoas acham chique usar roupa de gala para ir ao teatro, tudo bem. Na minha visão, isso é algo ultrapassado, elitista e conservador e, dependendo da ocasião, pode beirar ao cafona. Foi-se o tempo em que esse tipo de manifestação artística era fechada para a aristocracia.
Ou não?
O espetáculo foi ruim, fraco, uma bailarina caiu no mesmo lugar 3 vezes, e o segundo ato foi quase uma hora de rodopios incessantes dos solistas da cia. Mas o pior nem foi isso. A cada peripécia no palco, uma arrancada de aplausos na platéia. Ou seja, a cada gesto, a cada respirada, alguém puxava um aplauso e o resto da platéia acompanhava. Até a bailarina que escorregou foi aplaudida. A impressão que tivemos é que essas pessoas ficam tanto tempo sem assistir a um espetáculo, que quando vêem um, mesmo que ruim, ficam histéricos. Estragaram toda e qualquer pausa dramática proposta. Fiquei profundamente irritada. Meu amigo também.
Saímos xingando do teatro, principalmente a platéia. De que adianta se vestir daquele jeito e ter um comportamento quase que de torcida de futebol? Nós e nossas modestas calças jeans, conseguimos absorver muito mais do espetáculo do que essa gente afobada e exagerada.
Na nossa conversa, falei sobre como me senti decepcionada, até porque criei muita expectativa em cima do Ballet de Moscou. Comentei sobre um espetáculo de dança-teatro, que havia assistido pouco tempo antes, "La Chambre D´Isabella", da Need Company (Bélgica), e sobre um outro da cia da Martha Grahamm, em 2005. Dois espetáculos mais maravilhosos que já vi nesses meus poucos 26 anos de idade.
Voltando ao assunto da aristocracia, pensando melhor, existe sim uma cultura para as elites. Nem eu que trabalho na área cultural, não tinha dinheiro para comprar um ingresso para o Ballet de Moscou (aliás, pouca gente que vive de arte nesse país ganha muita grana). E me recuso a pagar um preço exorbitante na Sala São Paulo. Me recuso, mesmo. Prefiro pagar 10,00 para ver a Sinfônica Municipal, ou a Orquestra Experimental de Repertório lá no Theatro Municipal. Até porque acho muito absurdo o John Neschling embolsar mais de cem mil reais por mês. Entendam que não estou falando sobre sua competência enquanto maestro, ele fez um trabalho muito importante com a OSESP. Mas, no país que a gente vive, um maestro receber um salário absurdo como esse, pago ainda pelo Estado, é demais. Simplesmente não dá.
Isso tudo me arremeteu a uma outra lembrança: na época em que eu trabalhava na Rádio Cultura, se falava muito em popularizar o Theatro Municipal. Se não me engano, estávamos na era Pitta na prefeitura (tenho cólicas só de lembrar). E eu ouvi, da boca do diretor do Theatro, que tinha um programa lá na rádio, as horripilantes palavras: "Quero proibir o público de entrar de calça jeans e tênis no Theatro. Imagine só, as pessoas sentando de calça jeans nas minhas cadeiras de veludo!!".
Ah, seres humanos, cada vez mais malditos, maldosos e contraditórios!!
Ah, quantos ainda que confundem Poder com Foder!
Chegamos um pouco mais cedo e ficamos sentados na escadaria do Theatro, esperando a pessoa que viria com os ingressos. Desde ali de fora, fui observando o público: grandes carros importados paravam, e deles desciam grandes peruas, de laquê nos cabelos, super maquiladas, com seus digníssimos maridos de terno e gravata, ou black-tie, sapato lustroso, carregando a tira-colo os filhos adolescentes, vestidos como velhos. Ainda comentei com meu amigo: baile de gala? ou festa de casamento? E ríamos, ríamos tanto, com nossas calças jeans e nossos simplérrimos par de tênis. "O pior é que é esse o tipo de público que vem assistir o ballet clássico tradicional"- disse meu amigo com ar sério - "é muito parecido com o público que frequenta a Sala São Paulo". Até aí, tudo bem. Se as pessoas acham chique usar roupa de gala para ir ao teatro, tudo bem. Na minha visão, isso é algo ultrapassado, elitista e conservador e, dependendo da ocasião, pode beirar ao cafona. Foi-se o tempo em que esse tipo de manifestação artística era fechada para a aristocracia.
Ou não?
O espetáculo foi ruim, fraco, uma bailarina caiu no mesmo lugar 3 vezes, e o segundo ato foi quase uma hora de rodopios incessantes dos solistas da cia. Mas o pior nem foi isso. A cada peripécia no palco, uma arrancada de aplausos na platéia. Ou seja, a cada gesto, a cada respirada, alguém puxava um aplauso e o resto da platéia acompanhava. Até a bailarina que escorregou foi aplaudida. A impressão que tivemos é que essas pessoas ficam tanto tempo sem assistir a um espetáculo, que quando vêem um, mesmo que ruim, ficam histéricos. Estragaram toda e qualquer pausa dramática proposta. Fiquei profundamente irritada. Meu amigo também.
Saímos xingando do teatro, principalmente a platéia. De que adianta se vestir daquele jeito e ter um comportamento quase que de torcida de futebol? Nós e nossas modestas calças jeans, conseguimos absorver muito mais do espetáculo do que essa gente afobada e exagerada.
Na nossa conversa, falei sobre como me senti decepcionada, até porque criei muita expectativa em cima do Ballet de Moscou. Comentei sobre um espetáculo de dança-teatro, que havia assistido pouco tempo antes, "La Chambre D´Isabella", da Need Company (Bélgica), e sobre um outro da cia da Martha Grahamm, em 2005. Dois espetáculos mais maravilhosos que já vi nesses meus poucos 26 anos de idade.
Voltando ao assunto da aristocracia, pensando melhor, existe sim uma cultura para as elites. Nem eu que trabalho na área cultural, não tinha dinheiro para comprar um ingresso para o Ballet de Moscou (aliás, pouca gente que vive de arte nesse país ganha muita grana). E me recuso a pagar um preço exorbitante na Sala São Paulo. Me recuso, mesmo. Prefiro pagar 10,00 para ver a Sinfônica Municipal, ou a Orquestra Experimental de Repertório lá no Theatro Municipal. Até porque acho muito absurdo o John Neschling embolsar mais de cem mil reais por mês. Entendam que não estou falando sobre sua competência enquanto maestro, ele fez um trabalho muito importante com a OSESP. Mas, no país que a gente vive, um maestro receber um salário absurdo como esse, pago ainda pelo Estado, é demais. Simplesmente não dá.
Isso tudo me arremeteu a uma outra lembrança: na época em que eu trabalhava na Rádio Cultura, se falava muito em popularizar o Theatro Municipal. Se não me engano, estávamos na era Pitta na prefeitura (tenho cólicas só de lembrar). E eu ouvi, da boca do diretor do Theatro, que tinha um programa lá na rádio, as horripilantes palavras: "Quero proibir o público de entrar de calça jeans e tênis no Theatro. Imagine só, as pessoas sentando de calça jeans nas minhas cadeiras de veludo!!".
Ah, seres humanos, cada vez mais malditos, maldosos e contraditórios!!
Ah, quantos ainda que confundem Poder com Foder!
08 fevereiro, 2006
O real valor do dinheiro
Outro dia, depois de analisar o meu falido extrato bancário, fiquei pensando no por quê do ser humano ser tão escravo do dinheiro.
Por causa de dinheiro, as pessoas se anulam, se matam, se degladiam, adoecem e o pior, acreditam piamente que é a fórmula da felicidade.
Se o ser humano diz que sem dinheiro não se vive, é porque ele mesmo criou esta necessidade ao mundo, e isto chegou a tal ponto que para mudar a situação só se o mundo explodir e nascer de novo.
Imagine se toda a energia que jogamos ao trabalhar só pra ganhar dinheiro, pra pagar contas, para comprar isso ou aquilo, fosse aplicada no amor, na criatividade, no cuidado com a natureza, como seria o mundo e as pessoas que nele vivem?
Eu olho para aquele pedaço de papel e fico pensando qual o real valor do dinheiro, porque o valor que atribuimos a ele é mais abstrato que qualquer pensamento ou sentimento, e só pode ser lógico porque é um valor numérico, consequente da aritmética e da matemática.
Infelizmente, neste sistema que criamos, somos obrigados a perder boa parte de nossa vida correndo atrás destes pedacinhos de papel, destes numerozinhos virtuais nas maquininhas bancárias, que agem como um medidor das nossas alegrias e tristezas.
Quando as pessoas perceberem o real valor do dinheiro, entrarão em desespero para recuperar o tempo, o amor , a saúde, as alegrias, os amigos perdidos, as paisagens que não foram vistas.
Não vale a pena ter a conta cheia e a vida e o coração vazios.
Por causa de dinheiro, as pessoas se anulam, se matam, se degladiam, adoecem e o pior, acreditam piamente que é a fórmula da felicidade.
Se o ser humano diz que sem dinheiro não se vive, é porque ele mesmo criou esta necessidade ao mundo, e isto chegou a tal ponto que para mudar a situação só se o mundo explodir e nascer de novo.
Imagine se toda a energia que jogamos ao trabalhar só pra ganhar dinheiro, pra pagar contas, para comprar isso ou aquilo, fosse aplicada no amor, na criatividade, no cuidado com a natureza, como seria o mundo e as pessoas que nele vivem?
Eu olho para aquele pedaço de papel e fico pensando qual o real valor do dinheiro, porque o valor que atribuimos a ele é mais abstrato que qualquer pensamento ou sentimento, e só pode ser lógico porque é um valor numérico, consequente da aritmética e da matemática.
Infelizmente, neste sistema que criamos, somos obrigados a perder boa parte de nossa vida correndo atrás destes pedacinhos de papel, destes numerozinhos virtuais nas maquininhas bancárias, que agem como um medidor das nossas alegrias e tristezas.
Quando as pessoas perceberem o real valor do dinheiro, entrarão em desespero para recuperar o tempo, o amor , a saúde, as alegrias, os amigos perdidos, as paisagens que não foram vistas.
Não vale a pena ter a conta cheia e a vida e o coração vazios.
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