Ela nos deixou esta madrugada. Nos deixou para dançar num jardim de anjos e flores e coração aberto para o mundo. Ela nos deixou e ficou também, refletida numa estrela, quem sabe, um ponto de luz. E eu, que nada sei sobre a morte, celebro com gratidão a vida, pois o que me resta, neste momento, é saber que ela virou poema, como fez de poema sua vida.
Para Madalena, pra sempre junto da gente.
Se todo mundo pensasse seriamente no absurdo que é tudo isso de ser feito de carne, mas também olhar as estrelas, de ter um rosto, mas também ter aquele buraco fétido, se todo mundo tivesse o hábito de pensar, haveria mais piedade, mais solidariedade, mais compaixão e amor. Hilda Hilst
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16 dezembro, 2009
25 setembro, 2009
indivíduo
Caminhou vagarosamente embaraçado. Pela aparência poderiam até dizer que estava embriagado. Andava tonto, pendendo para os lados. Muitos olhos o olhavam de soslaio, com desdém. Quem seria este Zé Ninguém? Zé Ninguém tem nome próprio, teve família, teve história, mas nada disso interessaria a alguém. Poucos passos trôpegos entre os passantes e seus viços nas faces, fartura de carnes, Zé Ninguém parecia perdido entre verduras brilhantes. Pensava num pequeno milagre de ser invisível por alguns instantes. Indigente e invisível, o de costume, mas ali, naquele lugar, chamava atenção, uma atenção nojosa, enjoativa. Virou motivo de queixume. O homem-pêndulo carregando desespero por entre os rótulos gritantes das prateleiras. Antes que suas mãos carregassem qualquer força furtiva, caiu por entre os carrinhos. Chamaram a segurança, a guarda civil, a polícia militar. Burburinhos surgiram por todo o espaço. A gerência mandou remover logo, atrapalha as vendas. Um indíviduo solitário, julgado por sua falta de alma, falta de amor, falta de nome. Zé Ninguém era sim alguém... era apenas um homem com fome.
17 setembro, 2009
reencontro
Mexo nas gavetas do passado
e na poeira da memória me revi:
pequena, miúda criatura saltitante
daquelas noites embaladas só por ti.
Aquele seu sotaque irreverente
ainda hoje, anos depois,
pude ouvir.
Ao esperar, sem mínima esperança
de revê-lo nesta vida novamente,
o mundo presenteia num instante
um reencontro mais que irreverente.
Fizeste parte de minha história,
minha infância,
digo até que tu és parte do que sou agora,
e me emociono, neste minuto, nesta hora,
por não estares somente em minha memória!
E preencho todos os vazios desta existência
quando de alegria e de carinho
meu coração chora.
Para Severino, figura especial que carrego sempre comigo.
e na poeira da memória me revi:
pequena, miúda criatura saltitante
daquelas noites embaladas só por ti.
Aquele seu sotaque irreverente
ainda hoje, anos depois,
pude ouvir.
Ao esperar, sem mínima esperança
de revê-lo nesta vida novamente,
o mundo presenteia num instante
um reencontro mais que irreverente.
Fizeste parte de minha história,
minha infância,
digo até que tu és parte do que sou agora,
e me emociono, neste minuto, nesta hora,
por não estares somente em minha memória!
E preencho todos os vazios desta existência
quando de alegria e de carinho
meu coração chora.
Para Severino, figura especial que carrego sempre comigo.
01 agosto, 2009
ancestral
moço robusto de olhos verdes
carregando peso de sacos de farinha
a vender sábado na feira
pé descalço na estrada quente
pés de areia
em seu andar depressa no interior das alagoas
deu-se a topar com meia dúzia de cangaceiros
de lamparina acesa a tropa de lampião
corrida a fuga a deixar os seus lá atrás
atravessando brasis a procurar outro verão.
Para meu avô Ilídio, olhar de mar de saudades.
carregando peso de sacos de farinha
a vender sábado na feira
pé descalço na estrada quente
pés de areia
em seu andar depressa no interior das alagoas
deu-se a topar com meia dúzia de cangaceiros
de lamparina acesa a tropa de lampião
corrida a fuga a deixar os seus lá atrás
atravessando brasis a procurar outro verão.
Para meu avô Ilídio, olhar de mar de saudades.
29 maio, 2009
pássaros
há pessoas que são como pássaros
pousam em minha mão
e voam, num piscar de olhos
simplesmente, se vão.
pousam em minha mão
e voam, num piscar de olhos
simplesmente, se vão.
22 maio, 2009
tela
Minhas pálpebras
abrem e fecham
feito leque
se vejo a vida
pintada numa tela
registro de alma em cor,
vibrante e bela,
que deixa minha vista enternecida.
E quando, ao penetrar
por tal janela,
meus olhos procurarão
razão que eu sinta,
mas descubro que o sentir
não se interpela
e uma lágrima escorre
e me mancha
feito tinta.
Para Hugo Perucci, alma que colore o mundo.
abrem e fecham
feito leque
se vejo a vida
pintada numa tela
registro de alma em cor,
vibrante e bela,
que deixa minha vista enternecida.
E quando, ao penetrar
por tal janela,
meus olhos procurarão
razão que eu sinta,
mas descubro que o sentir
não se interpela
e uma lágrima escorre
e me mancha
feito tinta.
Para Hugo Perucci, alma que colore o mundo.
20 maio, 2009
distância
esta extensão que separa corpos
que separa afetos
que separa passos
não diminui a grandeza de nossos laços
te encontro nas músicas,
nos livros, nos retratos,
pensando no que contigo vivi
lembranças das nossas pequenas alegrias
que não me deixam perder-me de ti
mas o que há é apenas distância física
outros abrigos
amigos que vão e vem
amores vãos
mantemos dadas nossas mãos
e, representando graficamente o que me dói,
unindo pra sempre nossas verdades,
rascunho este penoso sentimento
traduzido na palavra SAUDADE.
Para Bruno, meu irmão.
que separa afetos
que separa passos
não diminui a grandeza de nossos laços
te encontro nas músicas,
nos livros, nos retratos,
pensando no que contigo vivi
lembranças das nossas pequenas alegrias
que não me deixam perder-me de ti
mas o que há é apenas distância física
outros abrigos
amigos que vão e vem
amores vãos
mantemos dadas nossas mãos
e, representando graficamente o que me dói,
unindo pra sempre nossas verdades,
rascunho este penoso sentimento
traduzido na palavra SAUDADE.
Para Bruno, meu irmão.
17 abril, 2009
07 abril, 2009
o mundo em suas mãos

Quando a vida atrofia, o titeriteiro chora. Procura desesperado por seus dedos maleáveis, seus olhos ágeis fitam os que conduziam movimentos e emoções. O tempo escorre pelos fios, páram as articulações como se, assim, parassem seu próprio coração. Seus filhos, outrora desencadeadores de tristezas, alegrias, sofrem esquecidos num depósito. Quando a vida atrofia, o titeriteiro chora o que não mais existe: o mundo em suas mãos.
18 março, 2009
exercício segundo
Para Lili
Ela recebe flores e velas. Todos choram. Olhos se transformam em ilhas, rostos de crepúsculo, espinhos atravessando no peito. Ela brilha como estrela. E recebe flores e velas. Enquanto isso, no jardim, os deuses a convidam para dançar.
Ela recebe flores e velas. Todos choram. Olhos se transformam em ilhas, rostos de crepúsculo, espinhos atravessando no peito. Ela brilha como estrela. E recebe flores e velas. Enquanto isso, no jardim, os deuses a convidam para dançar.
19 agosto, 2008
Filhos
Filhos são criaturas danadas.
Vou dizer: dão um trabalho do cacete. A gente nunca mais dorme direito. Pelo menos até a figurinha atingir determinada idade, não. Bem, sei lá. As preocupações vão mesmo mudando. Talvez a gente também não durma direito com filhos adolescentes saindo pras baladas.
O investimento é alto: escola, remédio, roupa, lanche, passeio, etc. E tempo. Muito tempo.
Filhos são criaturas engraçadas.
Fazem cada pergunta! Inventam as coisas mais doidas do mundo, histórias, amigos imaginários, lugares, pessoas, bichos, situações inusitadas. Inventam e se reinventam. Tudo para um filho é brincadeira. E quando a bronca também vira brincadeira, a coisa fica séria e você tem mesmo que se preocupar.
Na verdade,o que eu quero mesmo dizer, é que ter filho é tudo de bom.
Talvez o único problema, se é que é problema, é que filho cresce.
Aquele fofinho, lindinho e cheiroso logo mais estará espinhento, com cecê e chulé e milhares de indagações. Aquela coisinha, ontem frágil, vai te enfrentar, te contrariar e te deixar, definitivamente, com os cabelos em pé.
Ou não!
Acho que eles podem ser adolescentes interessantes também. A gente pode (e deve) contar com isso.
Tudo vai depender de você, do meio em que ele vive e claro, da sua própria personalidade.
Pode contar com alguma carga genética. Se seu filho puxar aquela tia chata, você tá na roça e não tem muito pra onde correr. Mas ele também pode puxar o melhor de você, do pai ou de algum parente interessante. Ou o pior e o melhor de cada um.
Enfim. Ninguém é perfeito também.
Filhos também não são perfeitos, como pais também não são.
Independente disso, tenha consciência que filho é laço pra vida toda. Mas não é sua propriedade particular.
Uma hora eles vão querer voar mesmo por aí.
Você não quis?
Então.
Eles também vão querer.
Eles também vão ter opinião própria (às vezes, desde cedo).
Eles vão ter desejos e sonhos.
Muitas vezes, o que eles desejam e sonham pode ser algo completamente diferente daquilo que você pensa que é bom.
Acho que não devemos pensar por eles.
Devemos sim, ensiná-los a pensar.
Acho não, tenho certeza.
Não projete as suas frustrações.
Eles não merecem.
Eles merecem ser respeitados pelo que são.
Assim como você sempre quis que seus pais te respeitassem.
Isso é uma coisa doida.
Eu sou mãe e sou filha.
Quando a gente é só filho pensa de um jeito, mas quando o quadro muda, tudo muda.
Aliás, ter um filho muda tudo na vida da gente.
Ter um filho muda mesmo a gente.
No meu caso, acredito que pra melhor.
Pra muito melhor.
Eu sou uma pessoa muito mais consciente, responsável (sem perder a minha própria essência).
Eu sou uma pessoa muito mais bonita.
Eu sou uma pessoa muito mais realizada e satisfeita.
Eu sou uma pessoa muito, muito, muito mais feliz.
Isso não é cartilha.
Isso é só um pedaço de como me sinto, sendo mãe.
Quero aproveitar pra homenagear a pequena Alice que chegou neste domingo.
Quero homenagear também a nova mãezinha e o novo paizinho, Amanda e Marcus.
A pequenina é que nem sobrinha, pra mim.
Ela nasceu numa famíliona maravilhosa.
Foi muito esperada por todos.
Só quero acrescentar, nisso tudo, o quanto é bom carinho espontâneo do filho, quando ele diz "te amo".
Não é preciso mais nada.
Te ama, pura e simplesmente, por você existir.
Vou dizer: dão um trabalho do cacete. A gente nunca mais dorme direito. Pelo menos até a figurinha atingir determinada idade, não. Bem, sei lá. As preocupações vão mesmo mudando. Talvez a gente também não durma direito com filhos adolescentes saindo pras baladas.
O investimento é alto: escola, remédio, roupa, lanche, passeio, etc. E tempo. Muito tempo.
Filhos são criaturas engraçadas.
Fazem cada pergunta! Inventam as coisas mais doidas do mundo, histórias, amigos imaginários, lugares, pessoas, bichos, situações inusitadas. Inventam e se reinventam. Tudo para um filho é brincadeira. E quando a bronca também vira brincadeira, a coisa fica séria e você tem mesmo que se preocupar.
Na verdade,o que eu quero mesmo dizer, é que ter filho é tudo de bom.
Talvez o único problema, se é que é problema, é que filho cresce.
Aquele fofinho, lindinho e cheiroso logo mais estará espinhento, com cecê e chulé e milhares de indagações. Aquela coisinha, ontem frágil, vai te enfrentar, te contrariar e te deixar, definitivamente, com os cabelos em pé.
Ou não!
Acho que eles podem ser adolescentes interessantes também. A gente pode (e deve) contar com isso.
Tudo vai depender de você, do meio em que ele vive e claro, da sua própria personalidade.
Pode contar com alguma carga genética. Se seu filho puxar aquela tia chata, você tá na roça e não tem muito pra onde correr. Mas ele também pode puxar o melhor de você, do pai ou de algum parente interessante. Ou o pior e o melhor de cada um.
Enfim. Ninguém é perfeito também.
Filhos também não são perfeitos, como pais também não são.
Independente disso, tenha consciência que filho é laço pra vida toda. Mas não é sua propriedade particular.
Uma hora eles vão querer voar mesmo por aí.
Você não quis?
Então.
Eles também vão querer.
Eles também vão ter opinião própria (às vezes, desde cedo).
Eles vão ter desejos e sonhos.
Muitas vezes, o que eles desejam e sonham pode ser algo completamente diferente daquilo que você pensa que é bom.
Acho que não devemos pensar por eles.
Devemos sim, ensiná-los a pensar.
Acho não, tenho certeza.
Não projete as suas frustrações.
Eles não merecem.
Eles merecem ser respeitados pelo que são.
Assim como você sempre quis que seus pais te respeitassem.
Isso é uma coisa doida.
Eu sou mãe e sou filha.
Quando a gente é só filho pensa de um jeito, mas quando o quadro muda, tudo muda.
Aliás, ter um filho muda tudo na vida da gente.
Ter um filho muda mesmo a gente.
No meu caso, acredito que pra melhor.
Pra muito melhor.
Eu sou uma pessoa muito mais consciente, responsável (sem perder a minha própria essência).
Eu sou uma pessoa muito mais bonita.
Eu sou uma pessoa muito mais realizada e satisfeita.
Eu sou uma pessoa muito, muito, muito mais feliz.
Isso não é cartilha.
Isso é só um pedaço de como me sinto, sendo mãe.
Quero aproveitar pra homenagear a pequena Alice que chegou neste domingo.
Quero homenagear também a nova mãezinha e o novo paizinho, Amanda e Marcus.
A pequenina é que nem sobrinha, pra mim.
Ela nasceu numa famíliona maravilhosa.
Foi muito esperada por todos.
Só quero acrescentar, nisso tudo, o quanto é bom carinho espontâneo do filho, quando ele diz "te amo".
Não é preciso mais nada.
Te ama, pura e simplesmente, por você existir.
11 agosto, 2008
Eu (em tópicos)
eu não nasci há dez mil anos atrás. Mamãe me encomendou na geração mais brega do século XX;
se você não sabe qual a geração mais brega do século XX, adivinhe;
minha vida é um livro aberto (mas só até o terceiro capítulo);
eu tenho medo do cidadão de bem;
eu tenho medo da Narcisa Tamborindeguy, da Vera Loyola e da Hebe Camargo;
eu sinto vergonha alheia (principalmente ao ver Maluf e Clodovil como os mais votados em São Paulo, pra deputado federal);
eu acho que paulista consegue ser muito burro (vide constatação acima, dentre outros);
eu acredito que o inferno é aqui (o céu, de vez em quando, também é);
eu não acredito em instituições;
eu adoro bocejar em reunião;
eu tenho o nariz grande e me orgulho disso;
eu sonho, principalmente, quando não estou dormindo;
nem sempre eu acordo quando estou acordada;
eu odeio ter que escolher o que vestir, toda manhã;
eu nunca vi um chester;
meu cérebro só estabelece sinapses após 11h da manhã;
em muitos casos, títulos tem o mesmo valor que papel higiênico (cagado);
eu acredito que o futebol, em alguns níveis, causa demência séria nas pessoas;
o Big Brother, idem;
a TV aberta, então, nem se fala;
eu acredito que homem vidrado em comprar carrão tem o pau pequeno;
eu odeio shopping center;
é insuportável trabalhar num ambiente com mais de duas mulheres;
eu acredito que metrô na cidade inteira de São Paulo é a única solução para este trânsito caótico;
isso, contanto que o carro deixe de ser símbolo de status;
status de cu é rola;
eu vou pra Cuba antes do Fidel bater as botas;
eu quero que a Telefônica vá pra casa do caralho;
eu acho que a revista Veja é ótima e útil (para meu cachorro cagar em cima);
eu não tenho síndrome de vira-lata;
por isso, quem tem síndrome de vira-lata acha que sou chata e revoltada;
eu sou mesmo revoltada, e daí?
pra mim, beleza é relativa e estética não significa beleza;
eu mando recado para os burros nas entrelinhas;
eu sei que os burros, por serem burros, não vão entender as entrelinhas;
eu falo diretamente para os burros que, de tão burros, ainda assim não entendem;
às vezes eu me sinto um alien perdido nesse mundo;
a maioria das pessoas não me entende;
nem sempre eu me entendo;
eu estou falando um monte de coisas esquisitas que só eu acho que não são esquisitas;
então eu vou falar como alguém normal;
pra mim, loucura e normalidade estão no mesmo nível;
eu não sei o que é ser normal;
eu amo minha filha, muito, muito multiplicado por milhões;
eu amo minha mãe, sempre;
eu amo meus irmãos (quando não estão em casa);
eu sou ciumenta;
eu sou territorialista (mas não mijo pelos cantos);
eu detesto ter cachorro em apartamento;
meus amigos do peito são poucos, e eu os amo muito;
eu amo cozinhar;
eu amo cozinhar para os meus amigos;
eu amo ficar 5 horas cozinhando para ver todos devorarem tudo em 30 segundos;
pra mim, valor e preço são coisas totalmente distintas;
eu adoro o sanduíche de mortadela do Mercadão;
o sanduíche de mortadela do Mercadão me dá dor de barriga;
leite me dá dor de barriga;
eu sou viciada em café;
eu estou tomando café e comendo brownie enquanto escrevo essas linhas;
eu sou viciada em comprar livros;
eu sou viciada em música;
já deu pra perceber que eu sou revoltada, mas uma revoltada feliz;
eu já estou cansando de falar de mim;
eu já fiquei cansada e vou publicar a postagem;
eu não sei de muita coisa;
o pouco que eu sei eu não sei se sei;
eu não sei o que é saber;
eu não desejo muita coisa pra minha vida;
eu gosto das coisas simples;
meus sonhos e anseios são simples;
eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rock´s rurais.
se você não sabe qual a geração mais brega do século XX, adivinhe;
minha vida é um livro aberto (mas só até o terceiro capítulo);
eu tenho medo do cidadão de bem;
eu tenho medo da Narcisa Tamborindeguy, da Vera Loyola e da Hebe Camargo;
eu sinto vergonha alheia (principalmente ao ver Maluf e Clodovil como os mais votados em São Paulo, pra deputado federal);
eu acho que paulista consegue ser muito burro (vide constatação acima, dentre outros);
eu acredito que o inferno é aqui (o céu, de vez em quando, também é);
eu não acredito em instituições;
eu adoro bocejar em reunião;
eu tenho o nariz grande e me orgulho disso;
eu sonho, principalmente, quando não estou dormindo;
nem sempre eu acordo quando estou acordada;
eu odeio ter que escolher o que vestir, toda manhã;
eu nunca vi um chester;
meu cérebro só estabelece sinapses após 11h da manhã;
em muitos casos, títulos tem o mesmo valor que papel higiênico (cagado);
eu acredito que o futebol, em alguns níveis, causa demência séria nas pessoas;
o Big Brother, idem;
a TV aberta, então, nem se fala;
eu acredito que homem vidrado em comprar carrão tem o pau pequeno;
eu odeio shopping center;
é insuportável trabalhar num ambiente com mais de duas mulheres;
eu acredito que metrô na cidade inteira de São Paulo é a única solução para este trânsito caótico;
isso, contanto que o carro deixe de ser símbolo de status;
status de cu é rola;
eu vou pra Cuba antes do Fidel bater as botas;
eu quero que a Telefônica vá pra casa do caralho;
eu acho que a revista Veja é ótima e útil (para meu cachorro cagar em cima);
eu não tenho síndrome de vira-lata;
por isso, quem tem síndrome de vira-lata acha que sou chata e revoltada;
eu sou mesmo revoltada, e daí?
pra mim, beleza é relativa e estética não significa beleza;
eu mando recado para os burros nas entrelinhas;
eu sei que os burros, por serem burros, não vão entender as entrelinhas;
eu falo diretamente para os burros que, de tão burros, ainda assim não entendem;
às vezes eu me sinto um alien perdido nesse mundo;
a maioria das pessoas não me entende;
nem sempre eu me entendo;
eu estou falando um monte de coisas esquisitas que só eu acho que não são esquisitas;
então eu vou falar como alguém normal;
pra mim, loucura e normalidade estão no mesmo nível;
eu não sei o que é ser normal;
eu amo minha filha, muito, muito multiplicado por milhões;
eu amo minha mãe, sempre;
eu amo meus irmãos (quando não estão em casa);
eu sou ciumenta;
eu sou territorialista (mas não mijo pelos cantos);
eu detesto ter cachorro em apartamento;
meus amigos do peito são poucos, e eu os amo muito;
eu amo cozinhar;
eu amo cozinhar para os meus amigos;
eu amo ficar 5 horas cozinhando para ver todos devorarem tudo em 30 segundos;
pra mim, valor e preço são coisas totalmente distintas;
eu adoro o sanduíche de mortadela do Mercadão;
o sanduíche de mortadela do Mercadão me dá dor de barriga;
leite me dá dor de barriga;
eu sou viciada em café;
eu estou tomando café e comendo brownie enquanto escrevo essas linhas;
eu sou viciada em comprar livros;
eu sou viciada em música;
já deu pra perceber que eu sou revoltada, mas uma revoltada feliz;
eu já estou cansando de falar de mim;
eu já fiquei cansada e vou publicar a postagem;
eu não sei de muita coisa;
o pouco que eu sei eu não sei se sei;
eu não sei o que é saber;
eu não desejo muita coisa pra minha vida;
eu gosto das coisas simples;
meus sonhos e anseios são simples;
eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rock´s rurais.
05 agosto, 2008
da ralé viestes, pra ralé voltarás!
Pois é, eu sou da ralé e tanto já me ralei com a ralé, que gosto de ser ralé, tenho orgulho da ralé, sou gente e sou ralé, pois é, gosto de ser amiga do Zé, Zé Ninguém, Zé Ralé, tudo Zé, eu sou Zé e sou ralé, porque na ralé o pé tá livre, a ralé gosta do chinelo de dedo e tudo mais que não dói o pé, é livre o pé, o corpo é livre, radical livre que faz bem, ser ralé é ser radical livre que faz bem porque ser livre é ser radical e ser bem, e na ralé me ralo, fico amiga da faxineira, do segurança, do peão da obra, do pintor, do montador, da ralé que bate prego, atende telefone, aperta botão do elevador, limpa esfrega enxuga enxagua pra santa diretoria de cu é rola poder pisar com seu scarpin de mil reais, a ralé nem cheira a mil reais, a ralé se rala no salário mínimo, tão mínimo, no máximo que é ser ralé, porque a ralé é a gente sem dente, é gente sem dente e sem pente, mas é gente, é ser, é ralé de onde vim venho e vou, ralé que não tem pensamento ralo como narcisas e loyolas, e seus cachorros e seus condomínios gaiolas, sou ralé, não jogo ovos pelas janelas e não bato em travestis, sou ralé, amiga das domésticas que tem samba no pé, é bom ser ralé, a ralé feliz, a ralé que mesmo sem nada pode tudo, porque tem vontade, a ralé também tem vontade e sabe e mostra bem sua arte, arte de ralé, a ralé poesia música pinta borda samba sonho espírito elevado de ralé, somos todos Zés, tudo Zé Ralé, nem aristocracia pode com a ralé a monarquia de cu é rola a socialite de cu é rola e como sou ralé falo palavrão e mando tomar no cu esse bando de cuzão eu sou feliz ralé feliz ralei ralé.
25 junho, 2008
Tecnologia
Simples assim.
Comprei, a preço de banana, um super celular que lava, passa, cozinha, nina o nenê, desperta a dor, arruma a casa, e ainda por cima tem um tocador de MP3.
Nas viagens a trabalho, é útil.
Vai tocando todas as musiquinhas que nele coloquei.
Todo mundo se diverte.
Eu, o meu amigo e o motorista.
E o tocador ali tocando, como aqueles radinhos de pilha.
Lembra dos radinhos de pilha? Aqueles vermelhinhos, que neguinho colocava na orelha pra ouvir jogo de futebol, já que o estádio é grande e lotado e não dá pra ver porra nenhuma?
Então, o meu super celular, é parecido com o radinho de "pia".
Aí, na viagem, o motorista diz:
- Esse é o primo-rico do radinho.
E meu amigo completa:
- Pois é, tanta evolução, para voltarmos para o mesmo lugar.
Comprei, a preço de banana, um super celular que lava, passa, cozinha, nina o nenê, desperta a dor, arruma a casa, e ainda por cima tem um tocador de MP3.
Nas viagens a trabalho, é útil.
Vai tocando todas as musiquinhas que nele coloquei.
Todo mundo se diverte.
Eu, o meu amigo e o motorista.
E o tocador ali tocando, como aqueles radinhos de pilha.
Lembra dos radinhos de pilha? Aqueles vermelhinhos, que neguinho colocava na orelha pra ouvir jogo de futebol, já que o estádio é grande e lotado e não dá pra ver porra nenhuma?
Então, o meu super celular, é parecido com o radinho de "pia".
Aí, na viagem, o motorista diz:
- Esse é o primo-rico do radinho.
E meu amigo completa:
- Pois é, tanta evolução, para voltarmos para o mesmo lugar.
24 junho, 2008
Falando de amor com Fernando Tucori
Eu gostei tanto, mas tanto, e tanto do que ele disse, que resolvi postar o link aqui, para que outros gostem tanto, mas tanto e tanto quanto eu.
Falando de amor com Fernando Tucori
O Fê é aquele meu amigo, irmão e companheiro de loucuras, brisas e viagens, a quem dediquei um tópico logo que criei este blog (arquivos de 2005).
Divirtam-se.
Falando de amor com Fernando Tucori
O Fê é aquele meu amigo, irmão e companheiro de loucuras, brisas e viagens, a quem dediquei um tópico logo que criei este blog (arquivos de 2005).
Divirtam-se.
23 junho, 2008
O fora
A menina pula, corre, dança, ri, ri mais um pouco, dança mais um pouco, pinta e borda o dia inteiro.
A mãe se mata na faxina, limpa banheiro, lava roupa, louça, lenço, tira pó o dia inteiro.
E de noitinha:
- Filha, vai tomar banho!
A menina se joga no sofá.
- Filha, já falei pra você ir tomar banho! A-go-ra!
A menina se esparrama nas almofadas.
- Já vou, mãe, é que eu tô tão cansada!
A mãe a puxa pelas perninhas finas.
- Cansada tô eu, que limpei a casa o dia todo! Como você pode estar cansada, se não fez nada o dia inteiro?
A menina olha de soslaio.
- Mãe, brincar é não fazer nada?
A mãe se mata na faxina, limpa banheiro, lava roupa, louça, lenço, tira pó o dia inteiro.
E de noitinha:
- Filha, vai tomar banho!
A menina se joga no sofá.
- Filha, já falei pra você ir tomar banho! A-go-ra!
A menina se esparrama nas almofadas.
- Já vou, mãe, é que eu tô tão cansada!
A mãe a puxa pelas perninhas finas.
- Cansada tô eu, que limpei a casa o dia todo! Como você pode estar cansada, se não fez nada o dia inteiro?
A menina olha de soslaio.
- Mãe, brincar é não fazer nada?
O mar
O menino, nascido no sertão da Paraíba, vendo o mar pela primeira vez na cidade do Recife:
- Pai, mas que açude grande é esse!!
- Pai, mas que açude grande é esse!!
23 abril, 2007
Quando uma estrela nasceu
De bunda para a lua,
olhos de coruja,
nasceu a estrela outonal
(não atonal).
Regida pelo signo da arte
e da expressão.
Ela brilha porque ama,
porque sente,
porque sofre,
porque é gente,
porque é astro,
porque é tudo,
e uma coisa só.
Já tentaram apagá-la muitas vezes.
Até ela mesma já quis se apagar.
Mas ela é intensa.
Não deixa.
Mesmo que sofra,
mesmo que chore,
mesmo que sinta dores,
ela nunca se apaga.
Não se apaga porque vive.
Não se apaga porque é única,
original, um universo à parte,
e seu brilho é próprio.
Quem brilha sozinho só se apaga quando morre.
olhos de coruja,
nasceu a estrela outonal
(não atonal).
Regida pelo signo da arte
e da expressão.
Ela brilha porque ama,
porque sente,
porque sofre,
porque é gente,
porque é astro,
porque é tudo,
e uma coisa só.
Já tentaram apagá-la muitas vezes.
Até ela mesma já quis se apagar.
Mas ela é intensa.
Não deixa.
Mesmo que sofra,
mesmo que chore,
mesmo que sinta dores,
ela nunca se apaga.
Não se apaga porque vive.
Não se apaga porque é única,
original, um universo à parte,
e seu brilho é próprio.
Quem brilha sozinho só se apaga quando morre.
21 abril, 2007
Especial
Sexta-feira, aos 20 dias de abril do ano de 2007:
Gente bacana, gente especial.
Sorrisos e caretas.
Bebidas - alcóolicas ou não.
Comidinhas - com pimenta ou não.
Pimenta muito ardida.
Farinha.
O mais importante: toda a gente mais querida.
Agradeço a todos os presentes na comemoração do meu aniversário.
Gente bacana, gente especial.
Sorrisos e caretas.
Bebidas - alcóolicas ou não.
Comidinhas - com pimenta ou não.
Pimenta muito ardida.
Farinha.
O mais importante: toda a gente mais querida.
Agradeço a todos os presentes na comemoração do meu aniversário.
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