17 março, 2009

exercício primeiro

Acordar de manhã e não precisar abrir o armário, num pulo da cama pra dentro de uma calça, blusa ou vestido, sem precisar escolhê-lo no dia anterior e em nenhum outro momento qualquer. Fazer tranças no cabelo curtíssimo e lançá-las pela janela. Ao lance de um pensamento elas se alongam até o chão. Lá debaixo não há princípe, nem sapo, talvez um doido, um palhaço. Quando ele subir pelas minhas tranças eu já não terei cabelos, apenas asas. E o deixo ali mesmo, a me olhar voando mundo afora, feito libélula afoita por uma pétala de flor.

minha voz


Tenho uma voz que soa no mundo, que ecoa pelo mundo. Com meu peso, meu equilíbrio, meu movimento, é minha voz que por aí caminha, a passos lentos. A voz que fala pelo texto, é a voz que cala a palavra, voz que soa pelo vento. Minha voz, meu movimento. Mensagem de dor, de sofrimento. Aconchego, amor e sonho. Ritmo e talento. Minha voz é meu corpo. Minha voz, meu tempo. Sentimento.

04 março, 2009

19 fevereiro, 2009

momento

Ainda não era momento de ouvir sua voz de novo.
Mas não tive a sorte de estar longe da sala quando tocou o telefone.
Não era momento de dizer "tudo bem" quando, na verdade, está tudo uma merda.
Não, eu não estou bem.
Tou achando tudo um saco, pra dizer a verdade.
Minha vontade de ir embora não é só pra fugir da cidade.
É pra fugir de tudo.
Fugir de tudo em que me apeguei por aqui.
Isso inclui você.
Não é só você.
Mas inclui você.
Tudo bem que eu posso fugir por aqui mesmo.
O problema é que onde eu vivo
e com quem eu convivo
não é uma zona neutra.
Não é um lugar onde não haja resquício de lembrança sua.
Isso vai desde o trajeto de casa até o trabalho,
e outros lugares mais.
Os ônibus que vão pra sua casa.
E tem pessoas.
E as relações todas minhas e das pessoas
e, mesmo que eu não pergunte,
e realmente eu não pergunto,
de alguma forma, vou saber sobre você.
O mínimo do mínimo, mas vou saber.
De toda forma, parece maldição
ou praga que alguém rogou em mim:
por mais que eu fuja para um lugar distante
você ainda está em mim.
Eu sonho contigo todos os dias
e os sonhos sempre são bons.
Aí eu acordo
e vejo uma realidade muito diferente.
Não, não está tudo bom.
Aí, me sinto com uma coisa
que uma vez alguém chamou de lepra espiritual.
Cada dia cai um pedaço da alma.
Eu queria falar com você
mas não neste momento.
Porque, nesse momento, eu ainda estou morrendo aos poucos
e quando acho que não estou mais morrendo
a vida me dá um sinal: está sim.
Desliguei o telefone e corri para o banheiro chorar.
E senti de novo uma dor profunda no peito,
na garganta,
no estômago.
Me senti ridícula,
idiota,
fraca,
impotente,
incapaz de não sentir dor nenhuma.
Não, não era momento de falar com você.
Mas eu não pude evitar
e se assim aconteceu
talvez seja a vida me dando um outro sinal: era sim.
Era momento de eu entender que
lhe dizendo que tá tudo bem
ou tá tudo uma merda,
não faz a menor diferença.
Você não vai se importar.

04 fevereiro, 2009

resquícios

Achar felicidade nas quinas, esquinas, cantos e rodapés, rodopiando dentro do quarto ao som de samba, na cadência iluminada pela luz quente, amarela, dentro do lustre que carrega mosquitos mortos. Encontrar alegria nos livros já lidos e nos que ainda não foram explorados, sentir cheiro de papel envelhecido, amassado, dos bilhetes de outrora. Abrir a janela e não ver a aurora, nem crepúsculo, apenas olhar pra cima e ver o céu lá fora. A tontura dos rodopios embaça a vista que tenta ler os encartes dos vinis esparramados pelo quarto, uma vez que se quebrou a agulha da vitrola. Um violão, um pandeiro, uma gaita, um caxixi e um chocalho, adormecidos no armário esperando a próxima oportunidade para serem acordados. Um quarto que carrega um inteiro de memória e amor que nunca foi quarto nem metade. Amor único e inteiro, espalhado numa cama de solteiro. Amor e dois travesseiros. Um deles, hoje, chora o vazio da solidão.

03 fevereiro, 2009

Dores do mundo

por Xico Sá

Uma das grandes vantagens das mulheres sobre nós é a coragem, o destemor, de chorar em público. Se o choro vem, as mulheres não congelam as lágrimas, como os moços,pobres moços... Não guardam as lágrimas para depois, como sempre adiamos, não levam as lágrimas para chorar escondidos em casa.

Pior ainda é o homem que não chora nunca. Além de fazer mal ao coração, esse tipo não merece muita confiança. As mulheres não, falo da maioria das moças, desabam em qualquer canto e hora. Se estão mal de amor, choram na firma, no escritório mesmo, na fábrica, choram no trânsito, choram no metrô, simplesmente choram.

Como invejo as lágrimas sinceras das fêmeas.

Quantas vezes a gente não se preserva, por fraqueza, enquanto as lágrimas, em cachoeira, batem forte no peito machista e viram apenas pedras do gelo do uísque.

Como invejo as mulheres que misturam sim o trabalho com o drama heavy metal da existência. Desconfio da frieza profissional, das icebergs de tailleur, que imitam os piores homens e guardam tudo para molhar o travesseiro solitário numa noite de inverno.

Ora, as mulheres podem ser infinitamente poderosas, administrarem plataformas de petróleo nos mares... e chorarem um atlântico diante de uma alma perra e sem cuidados.

Lindas e comoventes as mulheres que choram em público, nas ruas, nos bares, nos restaurantes, nas malocas, no táxi. São antes de tudo umas fortes. Tristes dos que estranham ou ficam envergonhados com o mais verdadeiro dos choros. O medinho do macho diante do pênalti que vale uma vaga no torneio da dignidade.

20 janeiro, 2009

desconcertada

Teria que pegar tudo aquilo e jogar dentro da mochila. Fazia uma semana que tinham se separado, e reunir os objetos dele não estava sendo fácil. A cada livro dele que mexia, uma lágrima caía. Sentia uma dor profunda no peito, um vazio, vontade de morrer e nascer de novo num mesmo instante.
Tinha que jogar tudo na mochila e assim o fez. Saiu desconcertada pela rua, como se caminhasse por um buraco negro, por uma paisagem sem paisagem. As ruas não tinham nada, nem edifícios, nem carros, nem fumaça, nem semáforos, nem pessoas, só ela e as imagens desse amor que passavam como um filme.
Pegou o ônibus, desconcertada, e lá dentro bateu a dúvida de ter pego a condução errada, sem atenção, de parar em algum outro lugar que não o que haviam combinado. Não queria se atrasar para aquele que seria, talvez, um último encontro de se desencontrarem definitivamente.
Chegou antes do horário, pegou uma cerveja no bar. Suas mãos tremiam que nem vara verde. Antes de acabar a cerveja ele chegou, de ar tranquilo, mas ela não conseguiu sorrir.
Em momento nenhum ela conseguiu sorrir.
Nem ao ouvir que ele ainda a amava, apesar de tudo.
Deram um último abraço.
Ele se foi.
Ela voltou pra casa, com o andar trôpego, meio bêbado de dor, desconcertada. Pensava naquele caminho, naquela linha de ônibus que pegou tantas vezes pra voltar da casa dele, pensava nele, pensava neles, no que viveram e no que um dia, juntos, sonharam viver.
Desconcertada, não dormiu aquela noite. Fumou um maço de cigarros, olhando fotos e bilhetes dele, meu deus, como se amaram até a última gota e se queriam bem.
Chorou por muitos dias seguidos, sempre rezando no fundo de sua alma para que aquela dor passar, para aquela culpa passar, para se sentir mulher de novo, ter sua paz de espírito de volta. Para poder sentir saudades sem chorar, sentir saudades com um sorriso maroto de olhar pra trás e se orgulhar do que passaram juntos.
E como há dores que só o tempo cura, ela hoje vive seus dias, um após o outro, sem sonhos, sem desejos.
Segue a vida ainda desconcertada, e com o coração partido ao meio.

09 janeiro, 2009

volátil

Seria bom se, no auge de meu desespero, Deus me desse a oportunidade de evaporar.

Amar

é mergulhar de cabeça
sem saber nada
sem saber de nada
ao seu encalço
numa piscina
como um camicase
pulando do último
do mais alto trampolim
de mim
sem asa delta
salva-vidas, pára-quedas
sem perguntar
sem sequer pensar
se lá embaixo
vou encontrar água
ou o ladrilho do vazio

Armando Freitas Filho

24 novembro, 2008

enfeites

Ah, e como sinto falta! As cartas todas escritas à mão. Tenho guardadas até hoje as cartas que minhas amigas trocavam comigo. Isso com nove, dez, até uns treze anos. Escrevia cartas quase todo dia pra elas. Aquelas vizinhas, eu corria e colocava por baixo da porta do apartamento. Não precisava tocar a campainha e dizer "você é minha amiga, como gosto de você!". Eu fazia isso através das cartas. E eram muitas. Todas escritas à mão. As da escola eu guardava pra levar no dia seguinte, era só dar bobeira, eu colocava dentro da mochila. Era legal. Gostoso abrir a mochila e ver um envelope com meu nome. Elas também faziam isso. Eu fazia desenhos também. Nas cartas. Pra enfeitar, sabe?

Tive uma infância enfeitada.

Eu quis escrever um livro. Mais de uma vez. Minha mãe me ensinou a usar a máquina de escrever. Eu devia ter uns oito anos. Achei legal essa coisa de máquina de escrever, sentia importância no que eu escrevia. Na verdade, isso também era só um enfeite. Máquina nenhuma mudaria a força das palavras. E nunca vão mudar. A força da palavra se encontra nela mesma.

Tive uma infância enfeitada.

Compunha umas músicas com meu irmão e depois ficava inventando coreografias para elas. Porque só cantar a música não bastava - eu tinha que dançá-las. E mais que dançar, eu e meu irmão gravavámos tudo num aparelho portátil de fita cassete. Horas e horas de fita cassete, com músicas e programas de rádio que nós inventávamos. A gravação era só um enfeite.

Tive uma infância enfeitada.

Os enfeites todos se foram, com o tempo. A criatividade exercitada a cada minuto sumiu. Abro pastas e gavetas e encontro entre poeira e papéis amarelados, as mais enfeitadas lembranças.

Essas lembranças me enfeitam a vida, com cores e sons, sempre que penso nelas.

28 outubro, 2008

correspondência

"Querida,
sei que nesse momento precisa, por isso escrevo essa carta. Não sinta medo, nem culpa, nem raiva. Sei que adoeces de culpas que não deveria ter. Devo lhe dizer que já te vi adoecer inúmeras vezes simplesmente por ser ingênua. Não boba, ingênua. Já te vi sentir a fome dos outros com tua barriga. Minha querida, não faça mais isso com você. O excesso de altruísmo lhe faz mal. Por que se desacreditou? Vi você se largar e se desprezar por medo. Que buraco foi esse onde se enfiou? Para onde isso te levou? Repito, não sinta culpa. Se conhecer às vezes é difícil e doloroso. Quando você se ouviu pela última vez? Sei que faz tempo. Mas também sei que há aí dentro uma voz que ecoa com força o tempo todo. Essa voz implora por ser ouvida. Você só tem dois braços que não são suficientes para um mundo deste tamanho. Mas os seus ouvidos são suficientes para você. É simples. Não estou lhe impondo verdades. Apenas te sugiro um caminho. Você pode escolher. E pode não escolher. Apesar que não escolher também é uma escolha. A voz está gritando. Vai se fazer de surda? Boa sorte, minha querida. Você é mesmo muito querida."


Postou a carta na agência de correios. O destino? Seu antigo endereço. Pegou um táxi rumo ao aeroporto. O destino? Algum lugar.

a menina que queria comer nuvens

Eu gosto de brincar sozinha no meu quarto. Às vezes a dinda entra aqui, pergunta se vou almoçar. Eu não sinto muita fome. Eu nunca sinto fome. Eu cozinho pras minhas bonecas e elas sim, gostam de comer. Eu não gosto de comer, sabe. Não assim, de verdade verdadeira. Comida de mentirinha é mais gostosa. Comida de brincadeira. Minha mãe fica preocupada, ralha comigo toda hora. Mas, ah, eu não ligo pra isso. Eu não ralho com as minhas bonecas quando elas não querem comer a minha comidinha. Minha mãe não entende. Eu só quero comer nuvens. Elas são tão branquinhas e fofinhas! Cada hora é uma coisa. Nuvem de coelhinho. Nuvem de bolinho. Aí sim eu sinto fome. Eu vou lá pro quintal. Minha mãe ralha porque eu me sujo toda deitada na grama. Mas eu não ligo. Eu gosto do cheirinho da grama. E dos tatus-bola do jardim. Eu fico com fome das minhas nuvenzinhas lá do céu. O céu azulzinho, azulzinho, que nem o mar. Se bem que eu nunca vi o mar, assim, não de verdade. Só vi na fotografia. Mas eu não ligo. Eu tenho esse mar maior em cima de mim, e as minhas nuvens. É só delas que eu gosto. Minha mãe chora toda vez que eu digo que vou subir lá no céu pra comer as nuvens. Sei lá por quê. Ela fala que eu tenho que comer. Mas eu não sinto muita fome, ela sabe. Eu nunca sinto fome. Eu não gosto quando a mamãe chora, eu fico triste. Eu falo pra ela não chorar, porque o céu é bonito que nem o mar. Eu sei que a mamãe se preocupa comigo, mais ainda depois que eu não pude mais ir pra escola. Mas eu não ligo de não ir mais pra escola. Eu gosto do meu quarto. Eu gosto de deitar na grama do quintal. Eu gosto de todos os tatus-bola. Às vezes vem umas borboletas me visitar! Eu também gosto muito delas. Eu falo pra mamãe não chorar, eu falo pra ela vir deitar comigo pra ver o mar-céu. Eu queria que a mamãe também tivesse fome de comer nuvens, acho que aí ela ia ficar feliz. É sim, porque eu sempre fico feliz quando tenho vontade de comer as nuvens. Ah, mas ela só fica preocupada. E fica triste. Não sei por que mamãe anda tão triste. A gente não pode ficar triste assim, né, se a gente tem tatu-bola, e tem borboletas nos visitando! A gente tem as nuvenzinhas. Eu falo pra ela mas não adianta. Eu gosto do meu quarto. Eu peço pra mamãe abrir a janela. Eu não posso mais deitar na grama, mas eu não ligo. Eu posso ver o mar-céu da minha janela. As minhas nuvens! Elas estão me esperando. Eu vi lá fora as borboletas nos visitando. Eu gosto muito delas. Eu estou com fome de comer as nuvenzinhas. Acho que eu vou até elas. A mamãe tá chorando. Mas eu tou feliz, pois agora vou sentir o gosto delas.

27 outubro, 2008

sem título 2

não preciso de paredes
para te encontrar.
nem templos fechados
nem casas, nem prédios
arquitetura e belos vitrais.

te encontro em mim
olhando o luar.
te encontro nos olhos
daquele que me faz amar.

posso ver-te sem te olhar.
posso sentí-lo sem te tocar.


paisagem revelada.
deus.
além da minha matéria
de ser eu, e de ser nada.

monstro

o monstro tem olhos largos.
olhos mais sombrios
que a névoa sobre o pântano
em noite de eclipse lunar.
são olhos frios e gordos
que se projetam sobre luzes de felicidade
emanadas nas auras dos bem amados.

não há amor nesses olhos.
nem pupilas dilatadas pelo amanhecer.
olhos duros e vazios,
sem profundidade,
sem sonho e sem querência.
olhos que desejam mal e morte
e dor e sofrimento.

encontrei-me com mil monstros
muitas vezes, sem saber.

a desilusão com a raça humana passa
como filme de terror.

21 outubro, 2008

olhos para leminski

sem título

Definitivamente te encontrei.
Olhava estrelas e pastos,
sonhava em decifrar sonhos
e os mistérios de outrem.

Te encontrei.
Não tens forma e não te vejo.
É como o vento, como um sopro,
como o ar.
Movimento.
Energia e sinergia
sinestesia
e tudo isso que me anestesia.

Te encontrei.
Deus.
Te decifrei.

Não contem com isso

a.ban.do.no
sm (de abandonar) 1 Ação ou efeito de abandonar. 2 Desamparo, desprezo. 3 Desistência, renúncia. 4 Imobilidade, indolência, moleza. Antôn (acepções 1 e 2): amparo, proteção. A. de emprego, Dir trab: descumprimento continuado e definitivo, por parte do empregado, da obrigação de prestar serviço; fato de deixar a relação de emprego sem qualquer comunicação ao empregador. A. de serviço, Dir trab: descumprimento da obrigação de trabalhar. Pode configurar-se tanto na ausência continuada ao serviço como na acintosa inexecução de trabalho a que esteja obrigado o empregado. A. do lar, Dir: afastamento voluntário de um dos cônjuges, por dois anos, um dos motivos de desquite. Ao abandono: sem amparo, sem cuidados.



ABANDONAR-ME? NUNCA.
PREFIRO MORRER LUTANDO COMIGO MESMA!

09 outubro, 2008

S o b r a

O tempo passa, os ponteiros giram,
e eu nada deixo por aqui?
Envelhecendo nesse mundo louco e ficando louca.
Não deixando nada por aqui.
Não tenho nenhuma obra pra deixar.
Não componho
não escrevo
não pinto nem desenho.
Atuo e danço,
mas nisso meu corpo tem que estar vivo,
é efêmero,
passa logo, dali a pouco ninguém mais vai lembrar.
Nao caibo numa prateleira
nem posso me pendurar numa parede.
Não giro dentro do aparelho de som.
Eu nada deixo por aqui.
Não tenho nenhuma obra pra deixar no mundo.
Talvez não tenha sido criativa o suficiente.
Ou ousada o suficiente.
Não sei.
Cada dia sei que sei menos do que achava que sabia.
O mundo sujo tem me aborrecido, quando não emburrecido.
Tou cansada.
O que deixarei para os meus filhos?
Meu DNA e algum valor que não sei se tem valor.
Nem mais valia.
Posso olhar pra Deus? E ser cega?
Enxergar e não ver?
Não posso ter asas, ao invés de braços?
Onde vaga a liberdade que disseram que eu teria?
Por que meus sonhos moram longe,
e eu não sei que condução pegar?
Tou cansada.
Não tenho nenhuma obra pra deixar.
De mim, não sei nem se há algo pra sobrar.